RECENTES

domingo, 12 de maio de 2013

"Nómada" de Stephenie Meyer [Opinião Literária]





Título: Nómada
Autora: Stephenie Meyer
Editora: Gailivro
Coleção: The Host (nº1)





Sinopse:
Melanie Stryder recusa-se a desaparecer.
O nosso Mundo foi invadido por um inimigo invisível. Os Humanos estão a ser transformados em hospedeiros destes invasores, com as suas mentes expurgadas, enquanto o corpo permanece igual.
Quando Melanie, um dos poucos Humanos "indomáveis", é capturada, ela tem a certeza de que chegou o fim. Nómada, a Alma invasora a quem o corpo de Melanie é entregue, foi avisada sobre o desafio de viver no interior de um humano: emoções avassaladoras, recordações demasiado presentes. Mas existe uma dificuldade com que Nómada não conta: o anterior dono do corpo combate a posse da sua mente.
Nómada esquadrinha os pensamentos de Melanie, na esperança de descobrir o paradeiro da resistência humana. Melanie inunda-lhe a mente com visões do homem por quem está apaixonada – Jared, um sobrevivente humano que vive na clandestinidade. Incapaz de se libertar dos desejos do seu corpo, Nómada começa a sentir-se atraída pelo homem que tem por missão delatar. No momento em que um inimigo comum transforma Nómada e Melanie em aliadas involuntárias, as duas lançam-se numa busca perigosa e desconhecida do homem que amam.

Opinião:
Antes de iniciar esta leitura, já a premissa da sinopse me tinha encantado: a Terra invadida por seres alienígenas, que quando se apropriam de um corpo humano, apoderam-se das suas memórias e consciência, substituindo na totalidade o seu hospedeiro. Primeiro que tudo, tenho que elogiar a originalidade de toda a mitologia apresentada no livro, relativamente às Almas, à sua origem e modus operandi. Também a escrita da autora mantém a acessibilidade e simplicidade que conhecia das suas outras obras, proporcionando uma leitura fluída. No entanto, e talvez devido às minhas expectativas, senti-me algo defraudada durante esta leitura.
O início é algo pesado, com uma dose elevada, mas a meu ver necessária, de informação. Apesar de toda esta concentração de conteúdos nos primeiros capítulos, não fiquei confusa, apenas contribuiu para me entusiasmar pela leitura. No entanto, para mim, o ponto fraco foi mesmo a parte central da estória. Todas as descrições da rotina e quotidiano dos rebeldes tornaram a leitura monótona e tediosa. Confesso que esperava uma estória com mais ação, gostava de ter acompanhado algumas personagens nos diversos raides que efetuavam para obter mantimentos e não apenas naqueles descritos nos últimos capítulos. Assim, em geral, penso que o livro beneficiaria de uma redução no número de páginas ou simplesmente de momentos mais dinâmicos e estimulantes.
Apesar de tudo, apreciei acompanhar a integração gradual de Nómada no grupo de humanos. Este aspeto traduz uma boa mensagem sobre a discriminação e o respeito pela diferença, questionando as nossas próprias limitações em aceitar alguém substancialmente diferente.
De igual modo, gostei do modo como a bondade e altruísmo de Nómada colidem com a natureza humana. É de facto curioso como um ser alienígena apresenta mais compaixão, coragem e amor do que as personagens humanas. Assim, proporciona-se uma interessante reflexão sobre a essência do “ser humano”.
Ao longo da estória acompanhamos o duelo interno entre Nómada e Melanie, duas personagens com personalidades distintas. A autora fez um bom trabalho na distinção do carácter de ambas, mantendo a individualidade de cada uma enquanto partilham o mesmo corpo, e mesmo nos diálogos as suas vozes são facilmente identificáveis. Porém, gostava que tivesse havido uma dualidade mais intensa, pois Nómada cede demasiado rápido à pressão de Melanie.
A componente romântica é também um dos focos desta estória, mas sem excessos. Confesso que o casal Melanie e Jared não me fascinou o suficiente, mas adorei a relação entre Nómada e Ian. Também adorei a ligação enternecedora, quase mãe-filho, que se desenvolveu entre Melanie e Jamie e, consequentemente, entre Nómada e Jamie.
Nos últimos capítulos encontrei finalmente aquilo que me fez falta ao longo da obra: momentos de aventura e suspense, algumas revelações entusiasmantes e o culminar da luta de Nómada não apenas pela sobrevivência, mas pela integração na comunidade humana.
Como é típico nas obras da autora, o final não é suficientemente trágico. Na minha opinião, a autora tem bastante dificuldade em recorrer a um final mais trágico para transmitir o verdadeiro conceito de sacrifício por amor. Contudo, admito que gostei particularmente do desenlace de Kyle – uma personagem cuja evolução foi bastante interessante acompanhar – e Luzinha, que surge apenas no final mas que cujo impacto na estória é inegável e gostava sinceramente que tivesse sido mais explorada.
Em suma, a minha apreciação desta obra é algo ambígua, na medida em que durante alguns momentos na sua leitura estive inclinada para desistir, mas, no final, fiquei contente por não o ter feito, pois os últimos capítulos compensaram a desilusão inicial. Confesso que esperava uma estória diferente, com mais ação e um enredo mais intenso, mas continuo a aconselhar aos fãs do género young-adult e paranormal.

12 comentários:

  1. Eu li o livro há anos e adorei... mas se fosse hoje acho que daria 2* LOL por isso nem o tento reler :P

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu gostei da estória, em contornos gerais... Mas a meio torna-se uma seca tremenda! Esperava uma estória com muito mais ação, mais luta contra os seres alienigenas! Mas enfim...
      Sim, é melhor não voltares a ler xD

      Eliminar
    2. Na altura que li achei o romance Nómada-Ian fofi *.*


      PS: Tinha-me esquecido de subscrever -.-

      Eliminar
    3. Pois, eu também achei o romance Noa+Ian muito fofinho *.* Já o Jared+Melanie não me cativou assim tanto...

      Eliminar
  2. Opá!!! Estava à espera que gostasses mais... Mas claro, cada um de nós é diferente, vê as coisas de maneira diferente e gosta de coisas diferentes. Eu das duas vezes que li adorei. Agora tenho de ver quando ´que vejo o filme... gostava tanto de ter ido ver ao cinema, mas não deu -.-
    Beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Também estava a espera de gostar mais, mas ia com expectativas muito diferentes do que como o livro realmente é :/
      Estive quase para ir ver o filme ao cinema mas depois acabei por ver outro filme, mas gostava de o ver na mesma, para ver se me surpreende pela positiva :)

      Beijinhos*

      Eliminar
  3. Foi giro ver uma opinião diferente e provavelmente mais realista do livro. Tenho de o ler mas gostei de saber que se calhar não é tão espectacular como algumas pessoas o fazem parecer. Beijos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Aposto que até vais gostar, tal como muita gente gostou! Eu é que esperava algo bastante diferente e por isso fiquei um pouco desiludida...

      Beijinhos*

      Eliminar
  4. Pensei que ias gostar mais do livro. De facto, o início não é o mais cativante. Eu gostei da exploração das relações dentro da gruta... Levanta muitas questões sobre a condição humana e sobre os comportamentos determinados pelas situações! Também gostava de ver mais da Luzinha. Queria ver como é que ela evoluía e se adaptava àquela realidade!
    Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. O início nem me incomodou muito e percebo a necessidade de descrever a situação na gruta... Mas caramba! Tantas páginas, páginas e mais páginas dentro da gruta e nem sequer um vislumbre do que se passa no resto do mundo? Nem um raide acompanhamos (sem contar com os finais)? Tornou-se muito monótono para mim...
      Adorava ver mais da dinâmica entre o Kyle e a Luzinha, duas personagens únicas!

      Beijinhos*

      Eliminar
    2. O inicio foi o que menos gostei xD

      Eliminar